domingo, 16 de novembro de 2008

Relação entre a pelagra e a anorexia

De acordo com o artigo: "Pellagra May Be a Rare SecondaryComplication of Anorexia Nervosa: A Systematic Review of the Literature", a literatura revela que vários casos de pessoas com anorexia que apresentavam pelagra. As características mais comuns da pelagra em pacientes com anorexia são manifestações cutâneas tais como eritema em áreas expostas ao sol; glossite e estomatite.
Uma análise feita por Patrick, discutiu sobre a etiologia das doenças nutricionais associadas à anorexia, bulimia e transtornos alimentares atípicos. O artigo completo, porém, não relacionou a eventual ligação entre a pelagra e a anorexia. Nesse artigo, quatro casos de pelagra em pacientes com anorexia nervosa da literatura são revisados.
Bicknell e Prescott descreveram a história detalhada da pelagra. A palavra pelagra significa pele áspera e foi escrita por Frapolli em 1771. Ele foi o primeiro a notar lesões cutâneas em resposta à exposição à luz solar. A doença foi identificada primeiramente na Itália e Espanha, mas logo foi encontrada em outros países da Europa. Apesar de ser descrita inicialmente na América do Norte em 1864, a pelagra se fez presente antes dessa data. Em 1937, a língua preta foi descoberta (esta é uma doença semelhante à pelagra, porém ocorre em caninos) e foi curada com o uso de niacina. Algum tempo depois, a niacina foi usada em humanos com bons resultados, mas não completamente curativos. Em 1947 a complexidade da pelagra foi resolvida. Verificou-se que o aminoácido essencial triptofano, um precursor metabólico da niacina , poderia curar ou prevenir a pelagra. Em 1950, estudos demonstraram que 60 mg de triptofano resultavam em 1 mg de niacina. Considerando que a dieta ocidental típica fornece aproximadamente 1 g de triptofano diariamente a partir de fontes de proteína e de outros alimentos, as exigências diárias de niacinas podem ser satisfeitas a partir da dieta somente. Assim determinou-se que a melhor forma de tratar ou prevenir a pelagra era administrar niacina ou assegurar uma ingestão adequada de proteínas. Embora a pelagra seja caracterizada pelos 4 D's, os sintomas iniciais odem ser: anorexia, ansiedade, psicose, delírio, dermatite, baixa resistência, melancolia, náusea, perda de peso e vômito.
De acordo com o artigo, alterações cutâneas estiveram entre os principais sintomas da pelagra em pacientes com anorexia nervosa. Considerando a complexidade a anorexia nervosa e as muitas manifestações clínicas da doença, é difícil determinar quais sintomas são reflexivos de pelagra. Deve-se suspeitar que o paciente apresenta pelagra quando a história do paciente anoréxico revela manifestações cutâneas relacionadas com exposição à luz solar. Para confirmar uma suspeita clínica de pelagra, um profissional de saúde pode tratar o paciente com 150-500 mg de niacina dividida em doses diárias, e acompanhar melhorias cutâneas 24-48 horas depois. Se houver melhorias cutâneas, o diagnóstico de pelagra pode ser feito.
Quando há uma ingestão de niacina e/ou de protéinas inadequada, ocorre uma perda da inibição do feedback sobre o percurso kynurenine , desviando mais triptofano para o percurso kynurenine , fazendo com que hajam menos substrato disponível para a síntese de serotonina e
resultando em uma diminuição dos níveis de 5-HIAA (5-hydroxy-indole-acetic acid) urinário.
Além de uma deficiente ingestão de niacina e/ou proteína, outros fatores podem levar à características cutâneas e/ou quadro clínico de pelagra em pacientes anoréxicos. Por exemplo, a deficiência de riboflavina e/ou piridoxina pode comprometer a biossíntese de niacina a partir de triptofano. A riboflavina é a coenzima para kynurenine hidroxilase e a piridoxina é a coenzima para a kynureninase - ambas as enzimas permitem a conversão de triptofano in vivo. Se há deficiência de niacina ou de qualquer uma dessas vitaminas, existe a possibilidade de desenvolvimento de quadro clínico de pelagra.
Fatores tais como excessiva ingestão de leucina (o que não seria visto em pacientes anoréxicos), estrogênios e progestogênios, síndrome carcinóide e diversas medicações poderiam também levar ao desenvolvimento de pelagra. Estrogênios são inibidores competitivos da kynureninase, enquanto progestogênios são podem reduzir a atividade da kynurenine hydroxylase. A síndrome carcinóide, um tumor nas células do trato intestinal, desvia a maior parte de triptofano da biossíntese de NAD e NADP para a síntese de serotonina. Finalmente, medicações como Isoniazida, Carbidopa, estão associadas com o esgotamento de niacina.


http://louisawallstrom.com/wp-content/fgallery/fast-concepts-and-sketches/anorexia.JPG


Bibliografia:
PROUSKY, E. Jonathan. ND, FRSH. Pellagra May Be a Rare SecondaryComplication of Anorexia Nervosa:A Systematic Review of the Literature. Alternative Medicine Review


Por: Pollana Roberta Alves Campos

Um comentário:

samela disse...

ISSO NAUM ME AJUDOU EM NADA!!!